quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quotes by Professor Yunus

Não precisam de explicação ....


We have to get out of this mindset that the rich will do the business and the poor will have the charity.

I strongly believe that we can create a poverty-free world, if we want to.... In that kind of world, [the] only place you can see poverty is in the museum. When school children will be on a tour of the poverty museum, they will be horrified to see the misery and indignity of human beings. They will blame their forefathers for tolerating this inhuman condition to continue in a massive way.

If we are looking for one single action which will enable the poor to overcome their poverty, I would focus on credit.

In the future the question will not be, "Are people credit-worthy",  but rather, "Are banks people-worthy?"

We can remove poverty from the surface of the earth only if we can redesign our institutions - like the banking institutions, and other institutions; if we redesign our policies, if we look back on our concepts, so that we have a different idea of poor people.

... Women have plans for themselves, for their children, about their home, the meals. They have a Vision. A man wants to enjoy himself ...

... Invisible Berlin Walls must go. We are not even trying to make it happen. Whenever we talk about the people at the bottom or the poor people, our usual reaction is to write a cheque. Okay, take care of them, feed them, clothe them, give them some place to live. But we don't touch the wall. We simply say, let them stay on the other side of the wall, but feed them a little. What I'm saying they don't need your throw-away money, they don't need handouts. They need an opportunity, a fair deal. They don't get a fair deal right now. Poverty is the denial of all human rights. I am talking about establishing their human rights. If we do that the walls will disappear. Poverty will go ...

... When tiny, tiny things start happening a million times, it becomes a large thing. It lays down the foundation of a strong economic base. With women participating in building this economic base, it becomes the foundation for better social and economic future ...

The poor themselves can create a poverty-free world … all we have to do is to free them from the chains that we have put around them.

Each individual person is very important. Each person has tremendous potential. She or he alone can influence the lives of others within the communities, nations, within and beyond her or his own time.

...a culture that holds people back should and can be changed...

What good does the theory [of economics] do if it is not working for people?

culture is useless unless it is constantly challenged by counter culture. People create culture; culture creates people. It is a two-way street. When people hide behind a culture, you know that’s a dead culture.

I should never seek a job in my life, my mission in life is to create jobs. I am not a job seeker, I am a job giver.

Policies are also to blame: the only thing that the governments and people can come up with to give to the poor people is charity. Poor people get hand outs from the state. But this is not a solution to poverty.

I think, social business is the most logical thing to do. If we had done that, we could reduce all the problems we have.

We have done some of these in Bangladesh. Whenever I see a problem, I immediately go and create a company. That’s what I did all my life.

If you think creating a world without any poverty is impossible, let’s do it. Because it is the right thing to do.

We got rid of colonialism, we got rid of slavery, and we got rid of apartheid – everyone thought each one of them was impossible. Let’s take the next impossible, do it with joy and get it finished with and create a world free from poverty. Let us create the world of our choice.

Dhallywood

Acreditem ou não, além de Hollywood e Bollywood (índústria de cinema da Índia), também existem Nollywood (Nigéria) e ... Dhallywood!

Para minha completa surpresa, a indústria de cinema da Nigéria é a segunda maior do mundo em termos de produção de filmes por ano, ficando atrás apenas de Hollywood, mas na frente de Bollywood. A indústria lá produz mais de 200 filmes por mês, e envolve mais de R$ 250 milhões de dólares por ano. Segundo consta, os filmes são muito populares por todo o continente africano. Não consegui achar nenhum filme produzido pelo cinema da Nigéria por aqui ...

Dhallywood, a indústria de cinema de Bangladesh, produz aproximadamente 100 filmes por ano, a um custo médio de 6,5 milhões de takas. Em 2003 o filme chamado Matir Moina (The Clay Bird) concorreu a Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (direção de Tareque Masud). Não levou a estatueta, mas ganhou prêmios em Cannes, Cairo, Marrakech, Montreal, Palm Springs e Edinburgh. Sugestão para o final de semana ...

Aproveitando a minha onda de interesse por arte e cinema bengali, fui atrás de informações sobre o Nobel de Literatura nascido em Bangla. Rabindranath Tagore ganhou o prêmio em 1913 (bons tempos aqueles para o povo Bangla) pelo livro Gitanjali. Meus amigos bengali disseram que vale a pena ler ... Rabindranath Tagore e Nazrul Islam são dois dos poetas mais conhecidos e respeitados pelos bengali e várias lojas, barbearias e restaurantes têm suas fotos pinduradas nas paredes ...

Every child comes with the message that God is not yet discouraged of man - Rabindranath Tagore

Nessa lógica, um otimista poderia afirmar que Deus realmente ainda acredita em Bangladesh, não?





Cidade Fantasma

Depois de 10 milhões de pessoas se matarem para pegar o trem para casa, as saídas de Dhaka pararem por 3 dias consecutivos, rebeliões, greves, confusão, a cidade finalmente esvaziou. Dá até medo sair na rua. O intérprete falou que eu não deveria ir. Cá estou eu novamente, trabalhando do hotel.

A matança começou hoje cedo, e deve durar 3 dias. Os canais de televisão só falam no Eid e mostram imagens do mundo islâmico curtindo o primeiro dia de sacrifício. No jornal li que outros países estão se organizando para se certificar que toda a carne dos animais abatidos vai ser distribuída ou vendida, para evitar desperdício. Tem até site na internet vendendo kilo de carne de vaca e camelo sacrificada de acordo com os procedimentos do islã, com entrega garantida e tudo. Viva a modernidade!

Falei para o Yonus que realmente não gostei do carnaval, e ele me respondeu: "Você está sendo hipócrita. Todos os dias os homens matam bichos para comer. Hoje não é diferente de nenhum outro dia. A grande diferença é que hoje estamos fazendo isso dentro de um ritual e as pessoas estão assistindo. Mas acredite, eles continuarão morrendo depois do Eid, de formas bem mais cruéis que essa".

Ele tem um ponto. Mas depois de ver o ritual de degola pela televisão (sim, eles passam isso o dia todo), resolvi que não vou assistir ao vivo.

Imagens da cidade fantasma ...


Na rua do hotel. Esse moço ao lado está na esperança de conseguir um
passageiro no seu CNG. Esse carrinhos são movidos à gás e têm
grade em volta deles, pois existiam muitos furtos no trânsito. Os CNGs
foram enjaulados e acabaram os assaltos. Depois dos rickshaws, são
os veículos mais populares em Bangla
Um rickshaw retardatário passeia pela cidade
Meus amigos anti-bomba, na frente do hotel. Além deles, deve ter uns 20 hóspedes
no hotel (contando comigo). Até o cachorro anti-bombas foi liberado!

Para todos lembrarem como é Dhaka em dias normais ...


Outra ...


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O despejo

Mais sobre o despejo ... segundo meus amigos bengali ...

A ex-primeira ministra (antes de ser política) era casada com o então primeiro ministro de Bangladesh, há muitos anos atrás, o general Ziaur Rahman. Ziaur foi assassinado em 1981 em uma tentativa de golpe de estado.

Depois do assassinato de Ziaur, Khaleda, então com dois filhos pequenos para criar, recebeu autorização do exército para morar na casa em que ela morava com seu marido, desde a época em que ele era o chefe do exército de Bangla. O marido virou o primeiro ministro depois de ser chefe do exército, mas continuou morando na casa em que ele e a família moravam na época: eles não quiserem ir morar na residência presidencial. Depois do assassinato do marido, o governo também se comprometeu a pagar os estudos dos filhos da viúva. E assim fez.

Os anos passaram, Khaleda passou a ser líder do PNB e candidatou-se à presidência em 1991: ganhou. Foram as primeiras eleições livres do país depois de muitos anos de política militar. Ela foi reeleita duas ou três vezes. Ficou no poder por muitos anos. Sempre morando na mesma casa em que morava com o marido assassinado, desde a época do exército.

Quando o partido da oposição voltou ao poder, o novo primeiro ministro também foi assassinado (choquei também). E não é que havia uma outra forte mulher atrás daquele homem, que também assumiu o comando do partido e se candidatou à presidência? E também venceu?

Sim, é verdade. A atual e a última ex-primeira ministra de Bangladesh são viúvas de presidentes assassinados. Quão perigoso é ser homem e primeiro ministro nesse país? Me parece que é mais arriscado do que andar de rickshaw. Nos últimos anos, mais de 50% deles foram mortos.

Enfim, certo ou não certo, legal ou não legal, usucapião ou não, Khaleda estava vivendo na casa de que foi despejada há muitos anos.

Ah Bangladesh .... tanta coisa importante para se preocupar ... e digo isso sem nenhum posicionamento político. Não tenho qualquer base ou conhecimento para opinar.

Passatempo

A italiana se estropiou na semana passada. O richshaw dela foi atropelado por um caminhão, eles bateram em uma vendinha de laranjas, todo mundo foi parar no chão. A coitada está com um corte e pontos no queixo, toda ralada nos braços e na perna (ela estava coberta, mas não adiantou). Todo mundo da cidade tem uma história para contar de acidente com rickshaw. É tão comum quanto ser assaltado nos semáforos de São Paulo. O que será que é pior?

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O horário padrão do comércio aqui em Bangladesh é das 9 às 4 hs. Os bancos fecham antes, às 3hs da tarde. Fiquei pensando porque esse horário tão elástico, numa economia que nitidamente precisa de mais atividade ... deve ser o trânsito ... ninguém consegue começar a trabalhar antes das 9, e se forem para casa depois das 4, não chegam para o jantar às 8. Essa semana o governo ordenou que os bancos fechem mais tarde, para que as pessoas possam retirar os seus salários e economias para se preparar para o Eid.

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O time feminino de cricket de Bangladesh está nos jornais dessa semana. Elas ganharam de Hong Kong na estreia dos jogos asiáticos e foi uma lavada. O próximo adversário é o Japão. As meninas ganharam foto no jornal local e tudo. Já o time masculino de futebol, foi o primeiro desclassificado da competição e está voltando para casa mais cedo.

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No jornal de hoje tem a notícia de que um "stalker" foi condenado a um ano de cadeia e multa de 500 takas por ter perseguido uma mulher chamada Amena Begum, pelo celular por muito tempo. Ela é casada e tem um filho, e foi o marido quem denunciou o cidadão.
 
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O governo de Bangladesh está finalizando projeto de nova lei ambiental, para punir quem derruba florestas de forma irregular. As penas variam entre 3 e 10 anos de cadeia, e multas até 100 mil takas. Essa semana foi aprovada nova regulamentação sobre microcrédito, que proíbe a cobrança de juros em taxas superiores a 27% ao ano e autoriza o pré-pagamento por parte do mutuário a qualquer momento.

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Semana passada aconteceu um episódio engraçado. Eu estava no supermercado perto do Grameen, comprando biscoitos e chocolates, e estava sem dinheiro. Entreguei meu cartão de crédito de chip. Depois de alguns minutos conversando com o caixa, finalmente conseguir explicar a ele que esse cartão não era de “passar”, mas sim de “senha”, e ele conseguir encaixar o plástico na máquina, gritou, com tranquilidade e bem alto: “Madam, can you tell me your pin number?"  Como é que é? Depois de digitar a senha dentro da cabine do caixa, com todos me olhando (eles não sabem que brasileiros são neuróticos e não deixam caixas e todos os clientes de supermercados saberem qual a sua senha do Visa) fui obrigada a assinar o comprovante do cartão. Consegui convencê-lo de que o cartão era de chip, mas não consegui convencer nem ele, nem o gerente da loja, de que eu não precisava assinar o recibo.
 
 

Eid-ul-Azha

Bangladesh está se preparando para o próximo feriado nacional: Eid-ul-Azha. Serão três dias de comemoração, mais a emenda do final de semana. O país vai parar por no mínimo cinco dias: festas, comida, música, reencontros de família, longas viagens e sacrifício. No Eid, muçulmanos de Bangladesh, da Índia, do Paquistão e do Irã oferecem a Alah, em sacrifício, um touro, camelo ou búfalo (caso o indivíduo não tenha condição financeira de arcar com qualquer desses animais, ele pode sacrificar uma cabra ou um carneiro. Galinhas e outros bichos de pena, não vale!). Ainda, aqueles que não têm condição de comprar nenhum desses animais, estão liberados da função. Alah assim autorizou. Só precisam sacrificar aquilo que lhes é precioso, para demonstrar a sua verdadeira fé ao criador, aqueles que tiverem condições econômicas para tanto ...

O Professor Latifee me contou que quem sacrifica um touro, ou camelo, ou búfalo, pode “beneficiar” 7 pessoas, além de si mesmo. Ou seja, o sacrifício pode ser feito em nome de quem comprou o sacrificado e mais 7 membros da família ou amigos que o titular escolher. Quem sacrifica um carneiro ou cabra, não tem esse privilégio. Apenas o titular do bicho é beneficiado pelo ritual nesse caso. Detalhe: os camelos vêm marchando da Índia, não há camelos nesse país. Vocês sabiam que tem gente que come carne de camelo? Isso deveria ser ilegal, de tão esquisito que é. Imaginem o garçom chegando no rodízio em São Paulo e perguntando: "Vai aí uma picanha de camelo?". Sem estética alguma, não?

O ritual de sacrifício é uma homenagem a Abraão, que, em algum momento de sua vida, a pedido de Deus, concordou em sacrificar aquilo que lhe era mais precioso: um de seus filhos, Isaac. No momento da execução, com o filho preparado para morrer para obedecer a seu pai e satisfazer a vontade de seu mestre, Deus mostrou misericórdia e tendo em vista a fé cega de seu seguidor, salvou o filho de Abraão da morte e, em seu lugar, ficou com um carneiro (para constar, não sou nenhuma especialista em religião e não pesquisei para escrever sobre esse momento na vida de Abraão. Estou repetindo o que eu escutei hoje dos meus amigos bengali. Aos mais religiosos e bons sabedores dos textos sagrados, me desculpem a falta de precisão).

Assim, desde então, todos os anos, o povo muçulmano repete o ritual de sacrifício do animal, para consolidar a sua fé e compromisso com Deus. O pobre coitado do bicho sangra até morrer e todos comem de sua carne: a família, os vizinhos, e os mendigos. Eid é sinônimo de sacrifício, generosidade, comprometimento com o outro e fé. Existem dois Eid no calendário muçulmano. Esse e aquele depois do Ramadã, o Eid-ul-Fitr.

Desde cedo percebi animais marchando inquietos por toda a cidade, no meio das ruas, entre os carros, amarrados nos caminhões e nos rickshaws. Todos indo para seu destino final, literalmente, o mercado de animais. Confesso que não teve graça ver os animais pintados de verde, vermelho, amarelo, azul. Alguns usam ornamentos que os enfeitam, fitas, sinos e outros badulaques de péssimo gosto pendurados no pescoço. Os criadores de animais fazem um bom dinheiro nessa época do ano. Também tem mercado para os “carrascos”, que são bons em executar – degolar - os bichos rapidamente, em tese sem dor ou sofrimento. O comércio vende como no dia das mães no Brasil. Todo mundo quer voltar para casa com presentes e roupas novas.

“Younus, você vai degolar um também?”

“Sim, claro. Quer dizer, eu não sou bom em matar. Vou contratar alguém para fazer isso, mas vou sim comprar um carneiro e fazer um almoço com as minhas irmãs”.

“Mas não dá para o ritual ser uma metáfora e evitarmos sacrificar tantos bichos ao mesmo tempo?”

“Não entendi, Marina. Como assim? É um privilégio morrer por Alah. Melhor morrer assim do que simplesmente virar um bife sem causa”.

Tá certo. Não está mais aqui quem falou. Afinal de contas, eu também como carne de vaca. Qual a minha moral nessa história?

A cidade já começou a esvaziar. O governo liberou todos do trabalho alguns dias antes do início do feriado (dia 17 de novembro começa), para que as pessoas tenham tempo de chegar em suas vilas no interior. O Grameen continua trabalhando, claro. Quer dizer, a diretoria. Estávamos em reunião no Grameen hoje: eu, Professor Yunus, Professor Latifee e Tamim. O intérprete passou para me dar um alô. Alguns assistentes e guardas na porta. E só. O prédio estava vazio.

Me contaram que viagens de 200 e 300 km demoram mais de um dia de carro ou ônibus, por conta do trânsito e do caos nas estradas. Os jornais já começaram a computar as mortes nas estradas, tal como fazemos no carnaval. Tudo igual, em todo lugar.

O partido da oposição diz que parou com a greve e as manifestações contra o governo em sinal de respeito ao Eid e, assim que o feriado acabar (semana que vem), eles retornarão com a algazarra. Que venham as comemorações! Falando em manifestações da oposição, o Professor Latifee me contou com mais detalhes toda a história do despejo ... vou contar no próximo post. Vale um capítulo a parte.

No caminho da volta do almoço (numa van da diretoria), levamos um susto com um touro enorme, todo colorido, em disparada na rua ... fugiu ... 2 homens desesperados corriam atrás do pobre do bicho prometido à morte. Perguntamos para um dos homens esbaforidos atrás do fujão: “Quanto custa esse? Ele é grande!”. “82 mil takas, Madam!”. O Professor Latifee me falou que era barato, para o tamanho do bicho.

Perguntei: “Professor Latifee, onde que as famílias matam os bichos? Em algum lugar específico e depois levam a carne para casa?”

“Não, não. Na frente de casa mesmo. Todos matam os animais na frente do portão de casa, na rua”.

“Quer dizer que as ruas ficam cheias de animais morrendo, todos juntos, assistindo a própria morte?”.

“Sim”.

“E o sangue na rua?”

“É, realmente tem bastante sangue na rua por três dias”.

Tá certo. Fiquei com uma aflição doida de imaginar as vacas assistindo ao próprio extermínio.

“Coitados. Você acha que eles sabem que vão morrer?”

Tamim: “Com certeza. Eles começam a chorar na noite anterior. Quando a morte chega, é um alívio para eles”.

Meus anfitriões me convidaram para celebrar o Eid com eles. Estou na dúvida se quero ir assistir isso. Acho que vou antecipar a minha ida para a Índia, tratar as vacas como um ser sagrado. Faz mais o meu gênero.

About sacrifice and the offering of sacrifices, sacrificial animals think quite differently from those who look on: but they have never been allowed to have their say - Friedrich Nietzsche

Aos muçulmanos que eu muito respeito, minhas sinceras desculpas, mas fico com Nietzsche nessa ocasião.

domingo, 14 de novembro de 2010

Fim da manifestação

Acabou de acabar a greve e a manifestação do partido da oposição em Bangladesh. Resultado final: alguns mortos, muitos presos, ex-primeira ministra despejada de sua residência aos prantos, carros destruídos e hotel reaberto. Podemos sair nas ruas novamente. O governo acaba de autorizar. Com o sinal verde, os homens do serviço secreto e os soldados do exército que estavam no hotel (mais de 30), despedem-se dos hóspedes e vão embora.

A cultura, a religião, o trânsito, a poluição, a sujeira, as estradas, os carros, os rickshaws, a água, a malária e outras verminoses tropicais não bastavam, claro. Se você vem para Bangladesh e não vive uma rebeliãozinha da oposição, não é a mesma coisa. :)


Enfim, hoje foi um dia bem esquisito. Segundo o gerente do hotel "devemos ficar aqui por precaução Madam, mas não tem com o que se preocupar". Na medida em que o mocinho da recepção me falava isso, marchavam para dentro do hotel muitos homens fardados, com metralhadoras nas mãos. Fiquei com uma vontade irresistível de tirar fotos da cena, mas lembrei do intérprete me falando que a polícia não gostava de fotos. O exército deve odiar fotos.

"Precisamos de tudo isso? Até parece que o hotel vai ser atacado".

"Há muito tempo um evento como esse não acontece, mas não gostamos de tomar riscos. Por isso o serviço secreto e o exército estão aqui para proteger o hotel e seus hóspedes. Além disso, temos carros blindados para levar os hóspedes para o aeroporto, se necessário".

"Ah ... agora estou muito tranquila. Vai ser um dia realmente relaxante".

Enquanto isso, no lobby do hotel, um piano tocando a música do Fantásma da Ópera. (?!)

Me senti dentro de algumas cenas de Titanic e de Hotel Ruanda. Muito menos drástico que a situação dos dois filmes, é claro, mas um frio na barriga. "Imagina se estoura uma rebelião nesse país? Fujo para onde?"

Fiz ginástica, comprei um soverte de chocolate no bar da piscina, voltei para o meu quarto e vi 2 filmes. Fui interrompida por umas 4 ligações do Grameen e umas 2 do intérprete para ter certeza que eu estava obedecendo eles e que não sairia do meu quarto.

A última ligação foi do intérprete: "Marina, estou aqui no lobby. A rebelião acabou. Você pode sair, se quiser".

Tomei um café com o intérprete e voltei para o quarto. Amanhã tem muito trabalho para terminar.

Todos os hóspedes do hotel vão bem, obrigada!