terça-feira, 30 de novembro de 2010

Notícias de Bangla

Hoje troquei alguns emails e telefonemas com meus amigos do Grameen e fiquei curiosa para saber como está a situação política de Bangla.

A Suprema Corte não aceitou as últimas 3 apelações de Khaleda e a ex-primeira ministra está oficialmente sem casa e sem recursos legais. Agora não tem mais volta. O pessoal do governo diz que os advogados de Khaleda perderam a batalha legal de propósito, para que ela pudesse usar o evento como motivo para uma rebelição e tentativa de golpe de estado.... Teoria da conspiração? Quando eu estava lá, tudo parecia bem possível e provável ...

O país está vivendo uma nova onda de greves gerais, apoiadas pelo BNP e seus aliados, e só nas últimas 24 horas 50 manifestantes foram feridos e encaminhados para o hospital e mais de 300 foram presos ... Lá em Bangla é assim ... conta-se de 10 em 10 e não de 1 em 1 ...

Os membros do Congresso que são do BNP não estão comparecendo às sessões porque dizem que não existe clima de diálogo e todos estão constrangidos com o episódio da Khaleda ... ainda não entendi quem está mais constrangido ....

De resto, as notícias são bem parecidas com aquelas que deixei em Bangla, na semana passada ...

A história de Shajahan e Mumtaz Mahal

Taj Mahal às 6:55 da manhã



Era uma vez um imperador muçulmano, perdidamente apaixonado pela sua quarta esposa, que queria construir um monumento inteiro em mármore para homenageá-la depois de sua morte. Shajahan tinha uma fortuna equivalente a USD 1 bilhão nos dias de hoje, tempo e paciência. Resultado: o Taj Mahal.

Shajahan ficou casado com Mumtaz por 17 anos, e teve com ela 14 filhos, dos quais 7 sobreviveram. No 14º parto, Mumtaz faleceu ... 

Depois da  morte da esposa mais bonita e preferida, Shajahan resolveu construir o Taj Mahal. Fez uma licitação com arquitetos do mundo todo e por fim escolheu: 2 indianos muçulmanos e um italiano. O monumento demorou 22 anos para terminar (perto de 1630) e consumiu mais de 50% da fortuna de Shajahan. Para vocês terem uma idéia, todos os demais monumentos desse mesmo imperador na Índia consumiram apenas 5% de sua fortuna. 

Todo o Taj Mahal é de mármore (o melhor que existe, não poroso e translúcido), com desenhos e versos de amor formados por pedras preciosas e semi-preciosas, que são encrustadas à mão no mármore. Um trabalho incrível, de mais de 70 metros de altura. Quem nunca viu, precisa vir aqui. Quem achou que não vale a pena vir para a Índia para ver, permita-me dar uma sugestão: vale sim. E não é só o monumento em si, tudo em torno da construção do Taj é muito bacana. A história do casal, a cultura da época, a religião muçulmana que se misturava bem com a hindu, a arte de encrustrar as pedras no mármore. Muçulmanos  ricos e apaixonados por suas esposas no século XVII eram incríveis ... E é isso mesmo, o monumento símbolo da Índia não é um templo hindu, mas sim um muçulmano. Irônico, não?

Quando o Taj Mahal ficou pronto, Shahajan resolveu construir um monumento igual para ele, em Onix preto. O filho mais velho, achando que o pai estava ficando insano, destronou o pai, colocou ele na prisão, e assumiu o comando da região. Afinal de contas, o pai apaixonado ia quebrar o país para terminar a loucura de amor ... Depois de 8 anos ele morreu e foi enterrado ao lado de Mumtaz. 

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Agra

O retiro no spa de yoga acabou. Depois de uma viagem de 2 horas de avião (pequeno) e outra de trem de 4 horas, chegamos em Agra, a cidade do Taj Mahal.

A companhia ferroviária da Índia é a companhia que mais emprega pessoas no mundo: 5 milhões de empregados, sem contar a geração de empregos indiretos (exemplo: carregador de malas, comerciantes, motoristas de rickshaw da ferroviária, etc). Ao todo são 145 mil kilometros de trilhos, por todo o país. A maior rede ferroviária do mundo. E posso dizer que funciona muito bem. Sempre escutamos notícias no Brasil dos acidentes envolvendo trens desse lado do mundo, mas pouco se fala da eficiência do sistema deles. Além do trem, o metro de Delhi tem mais de 200 kilometros e até 2015 a meta do governo é chegar em 400 kilometros ... São Paulo, com a mesma população de Delhi tem ....hum.... menos de 40 kilometros?


Forte vermelho de Agra

Vista incrível da varanda do hotel ... sim, é o Taj Mahal ...


Uma das salas do forte vermelho
Por do sol cor de rosa

sábado, 27 de novembro de 2010

Do not believe what you have heard

Do not believe what you have heard
Do not believe in tradition because it is handed down many generations
Do not believe because the written statements come from some old sage
Do not believe in conjecture
Do not believe in authority or teachers or elders
But after careful observation and analysis, when it agrees with reason and it will benefit one and all, then accept it and live by it.

                               - Lord Buddha

Vista do Kunjapuri Temple
Outro ângulo ...

Moradora do local

Dehdarun

Viajamos para uma pequena cidade na base do Himalaia chamada Dehdarun. Estamos na margem do Rio Ganges e cercados por montanhas, florestas, macacos, passarinhos e uma reserva de elefantes brancos.

Nosso hotel é um retiro de yoga simples e maravilhoso. Quando você chega aqui recebe orientação sobre todas as atividades que são disponibilizadas aos hóspedes e uma roupa branca. Todos usam! Traje oficial do hotel: chinelo, calça e bata brancas.

Atividades do dia incluem: meditação, trilhas, aulas e discussões sobre Vedanta, ginástica, fotos, massagens, fuga dos macacos (eles são bravos e temos guardas com bambus nas mãos para espantar os bichanos mais atrevidos), visitas a Ashrams locais e descanso. Aqui, com a água do Himalaia, pode-se arriscar escovar os dentes com água da torneira. Até agora, tudo certo. Final de semana perfeito.

Yoga  Spot

Gramado para meditação. No fundo, antigo palácio de um marajá


Escada para o gramado da meditação

Margem do Ganges ... em tese aqui é limpo

Outro lado ...


Nosso Asharam do dia ...


Cerimônia do Ashram: agradecimento ao Ganges pelos benefícios
que o rio traz para a comunidade local

Novas fotos de Delhi

Maior mesquita da Ásia ... quarta maior do mundo

Outro ângulo da mesma mesquita ... Muçulmanos já são 22% da população
da Índia. O país ainda é majoritariamente Hindu, mas a proporção vem mudando

Monumento que homenagea Gandhi

Crianças na rua ...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

New York, New Delhi

Quem acha que a Índia é pobre precisa ir para Bangladesh. Quem acha que Índia, Paquistão e Bangladesh é tudo meio igual, precisa vir para cá também. E quem veio para a Índia e ficou indignado com a pobreza, então você ainda não viu nada ...

O aeroporto de Delhi é uma surpresa para os ignorantes (me incluía nessa lista). Dá de mil a zero em Guarulhos e concorre com aeroportos modernos da Europa e de outras capitais da Ásia. Não parece que peguei um vôo de apenas 2 horas. Dhaka parece ter ficado em outro planeta. E estar em um país hindu e não mais em um país muçulmano é uma experiência ... de alívio.

A chegada no aeroporto não é tumultuada, a fila da imigração é bem organizada – inclusive para os estrangeiros, os corredores são largos e longos e claros e limpos. O banheiro, desacreditei, também. E não é no chão ...Todo mundo fala inglês! E todos olham para mim ... resolvi usar meu novo outfit adquirido em Bangla para a viagem – achei que ia me sentir menos forasteira, mas para o meu total engano, as mulheres da Índia moderna usam as mesmas roupas que as paulistanas: calças jeans, camisa ou camiseta, jaqueta de couro, casacos modernos e sim, sapatos altos (já contei que não trouxe sapatos altos para cá, certo? Não achei apropriado em Bangladesh, mas na Índia parece que combinariam bem). What the hell? Porque mesmo eu resolvi colocar essa roupa de ET para viajar? Senti-me como uma muçulmana de araque, no meio de uma tribo moderna de hindus. Sem falar no mehedi manchado nas mãos ...

Troquei 100 USD por Rupias (aqui o dólar vale algo próximo de 45 Rupias) e na saída do desembarque logo vi Amid, um indiano de 40 anos, sorriso largo, dentes brancos, com uma plaquinha na mão que levava o meu nome e uma grande van me esperando. Sem turbante.

A entrada da cidade é verde, organizada, com trânsito equivalente a São Paulo ou Nova Iorque (mas definitivamente não Bangla), largas avenidas, poucos semáforos (Nova Delhi foi projetada para ter poucos semáforos e assim fazer o trânsito fluir bem – e funciona). Tem buzina também, mas em outra escala. Tudo surpreendentemente mais avançado do que eu esperava. Claro, não é uma capital ocidental: há pessoas vestidas “a la hindu”, muçulmanos (esses já conheço bem), árvores centenárias, templos, fortes e mesquitas, sobreviventes do Eid nos bairros muçulmanos (cabras e vacas) e bastante gente na rua, mas não dá para começar a comparar com Bangladesh. Precisa passar mais uns 50 ou 60 anos para Bangladesh chegar nessa situação. Mesmo. Claro que estou falando de Nova Delhi, uma capital política importante do país, moderna, mas mesmo assim, essa não é a Índia que eu esperava. Depois de um mês em Bangla, New Delhi feels like New York (depois fui entender que a Old Delhi é bem mais parecida com Bangla, mas mesmo assim, daqui a uns 10 ou 15 anos ...).

Primeiro diálogo do Amid comigo: “Ms. Procknor, I will wait your husband to arrive later this week to deliver your travel package”. Ou seja, até o meu marido chegar na Índia, não terei acesso aos meus vouchers da Índia ... depois de um mês em Bangla, nem quis discutir sobre a questão. “Yes Sir. Thank you”. Tá tudo certo.

Segundo diálogo do Amid comigo: “What? You stayed one whole month in Bangladesh? Why????” Hehehe. Eles não entendem. E olha que eles estão aqui do lado. “You should have come to India before. This is a great country”. Tá tudo certo. Estou aqui agora.

Minha estadia na Índia será uma mistura de trabalho, descanso e diversão. Tenho que terminar algumas discussões e documentos com o Grameen – combinamos de nos falar diariamente, visitar algumas iniciativas de microcrédito na Índia (um grande IPO de um banco de microcrédito acabou de acontecer aqui e vou tentar entender como o modelo deles funciona – até porque eles e o Grameen não se entendem muito bem), e depois, como também sou filha de Deus, um pouco de férias com o Felipe. Além de Delhi, devo passar uns dias em Dehdarun (uma pequena cidade na base do Himalaia) e outros vilarejos dedicados à Yoga e Meditação, depois Agra (onde está o Taj Mahal), e por fim Jaipur e Daipur.

Segunda surpresa da estadia na Índia: o hotel de Delhi é um espetáculo, considerado um dos 10 melhores da Ásia (e acreditem, não custa nem perto de um hotel 3 estrelas em São Paulo). Depois de um mês em Bangla, não é tão difícil ficar bem impressionada com um bom hotel, mas acreditem, esse hotel é fantástico. Excelentes restaurantes, cabeleireiro, barbearia, sala de ginástica, bares, piscina, SPA, jardim, enfim, pacote completo. Para finalizar, e honestamente menos atrativo, uma loja da Channel. E não, não consegui entrar no ritmo consumista da cidade grande. Um mês em Bangla te afeta mais do que parece. Não tenho vontade de comprar nada. Mas vou dar um jeito de fazer as mãos até o final da semana.

Terceira surpresa da estadia na Índia: febre, cansaço e dor no corpo. Fui consultar a cola do meu infectologista e todos os meus sintomas combinavam com várias doenças: início de Malária, Dengue (essa eu já tive e posso dizer que era parecido mesmo), ou, apenas uma virose (o famoso “não sei o que você tem, pode ser qualquer coisa, vamos chamar de virose”). O infectologista disse: “Se você tiver febre, corre para o hospital. Se for Malária, precisa começar a tratar cedo”. Conversei um pouco com o médico do hotel, que pareceu muito calmo e relaxado, tomei um anti-térmico e fui dormir. E fiz isso por 16 horas. Acordei melhor. Não era Malária, nem Dengue. Nada muito importante. Só uma virose qualquer.

Delhi ganhou 3 vezes o prêmio de capital mais arborizada do mundo. A história da cidade tem mais de 5 mil anos e tudo parece incrível. Não dá nem para começar a contar. E nem vou tentar fazer isso, senão o blog rapidamente tornar-se-ia um guia chato e pouco profundo sobre a Índia ...

Quarta surpresa da estadia na Índia: meu guia/intérprete nos próximos 8 dias foi o consultor da Rede Globo na novela Caminho das Índias. Ficou com o elenco por 1 mês e meio aqui e mais 1 mês e meio no Rio. E disse que vai adorar contar todas as fofocas dos bastidores! Noveleiras de plantão, quando eu voltar ao Brasil estarei à disposição. Não seria apropriado abrir essas abobrinhas no blog. Pois é, empreendedores de microcrédito e viajantes de Bangla também gostam de novela ...

Antes de ir dormir na primeira noite de Índia, só consigo pensar no absurdo da divisão da Grande Índia em Paquistão Ocidental e Bangladesh ... o que será que esse povo estava pensando quando concordou com isso? E quem foi o infeliz que teve essa idéia para começo de conversa?